Dança do Ventre

A princïpio, quando os homens primitivos viviam em pequenos grupos isolados, todos os rituais eram dançados. Nas cerimônias e cultos, a dança tinha um papel muito importante: era por meio dela que o corpo e mente permaneciam interligados. Usava-se o corpo como instrumento para alcançar o sagrado. A partir disso, homens e mulheres tentavam compreender o mistério da vida e da natureza, nascimento, morte e os ciclos de fertilidade.

Trazendo um olhar sobre a Dança do Ventre, sabemos que, desde épocas primitivas, o conceito de Deus era feminino, associado a uma Grande Mãe. E, dentro dessa atmosfera, elaborou-se uma dança sagrada, cujos alguns movimentos nos chegam até hoje. Essa dança, chamada hoje de Dança do Ventre expressava a força do ventre humano e preparava para conviver com os elementos da natureza no mundo interno e externo, exaltando as energias da criação. Ligada a ritos de fertilização em honra à divindade feminina, a dança simbolizava a origem da vida, através de movimentos ondulatórios rítmicos do ventre.

A Dança do Ventre, desenvolveu-se entre os primeiros povos a habitarem a Ásia menor, inicialmente como dança religiosa sob o matriarcado como forma de representação e adoração à Deusa Inanna ou Astarte, a grande deusa-mãe-terra e posteriormente como forma de aprendizado e entretenimento entre mulheres. Limitar a origem e o desenvolvimento da dança do ventre ao Egito é um equívoco tão grande quanto restringir seus movimentos apenas à área do abdômen.

Seguindo a trajetória da evolução, cada povoado adaptou a dança sagrada (sua estrutura de movimentos, vestimenta, ritmos e coreografia) segundo seus costumes e crenças. Acredita-se que essa dança tenha sido criada visando reproduzir, através de movimentos variados, os quatro elementos (água, fogo, terra e ar), animais sagrados como a serpente (símbolo da Deusa-mçe-terra), cataclismas como terremotos, maremotos e etc. Além de todo o ciclo que envolve a fertilidade feminina e a concepção da vida. Dançarinas do antigo Egito adornavam seus quadris com sementes que ao serem chacoalhadas emitiam um determinado som para cada movimento. Percebemos que desde então o corpo é o maior instrumento da dança oriental, e ele tem a capacidade de materializar a música árabe.

Ao longo do tempo pelo processo de mistura entre culturas causado pelas constantes guerras, invasões ou simplesmente pelas visitas frequentes de povos nômades, a arte da dança oriental foi divulgada e assimilada por todo o oriente antigo. Em 1798, Napoleão Bonaparte teve seu primeiro contato com a dança oriental em sua primeira expedição científica ao Egito, através da recepção fraterna e festiva de Gawazys – dançarinas profissionais dos povos Tiziganes – durante a ocupação de suas tropas sobre o Cairo. Bonaparte, impressionado com os curiosos movimentos abdominais das dançarinas referiu-se pela primeira vez à dança oriental, como “danse du ventre” ou seja, dança do abdômen, “Dança do Ventre” a forma como a conhecemos até hoje.

Texto de Ana Cristina e também retirado do site de Nandhara Kaaran